Sexta-feira, 21 de Janeiro de 2011
Re-post: Pais Insuportáveis

No Bebé Filósofo, em 2/3/2010:

 

Pediram-me há dias que escrevesse acerca de crianças verdadeiramente insuportáveis.

Talvez este tenha sido um dos temas mais difíceis sobre o qual me pediram que escrevesse. É que eu não conheço crianças verdadeiramente insuportáveis. Haverá algumas mais mal-educadas mas que tolero, ou outras menos sociáveis mas cujos comportamentos aceito.
O pior são os pais. Há pais verdadeiramente insuportáveis e sobre esses ninguém me perguntou nada. Logo eu, que tinha tanto para dizer… Antes de mais nada, dizer que quase todos os miúdos menos “educados” deviam apontar o dedo aos pais.
A maior parte das crianças difíceis vivem com mães e/ou pais que não sabem impor regras, que se desautorizam mutuamente, que usam as crianças como estratégias de arremesso de emoções, que querem os filhos construídos à imagem das suas expectativas, que não exigem respeito, nem autonomia, nem nada.
Não tenho uma família perfeita, cá em casa também há miúdos birrentos e pais que fervem em pouca água. Mas vamos vivendo e aprendendo. Muito importante – vamo-nos adaptando.
Para criar miúdos equilibrados, considero que deve existir um conjunto de pressupostos no dia-a-dia das crianças e que passam:
- Pela consciência das responsabilidades: fazer a cama, arrumar a mochila, por a mesa, dobrar a roupa, fazer os trabalhos de casa;
- Pela partilha: ajudar os irmãos mais novos, partilhar os brinquedos, dividir o chocolate;
- Pelo respeito aos mais velhos: os pais e professores mandam, as crianças obedecem. Os avós são para respeitar em dobro (no meu caso particular, tenho alguns problemas em fazer perceber aos miúdos o respeito que devem ter com a minha mãe.)
- Pelo incentivo à autonomia: tomar banho sozinho, ir deitar-se sozinho, servir-se sozinho, etc...
Aos dezoito meses um bebé pode e deve ajudar a arrumar os brinquedos.
Aos dois anos pode comer sozinho. Sim, suja tudo. E depois?
Aos três pode dobrar o pijama ou ajudar a pôr a mesa (tarefa que passará a demorar o dobro do tempo mas ninguém disse que ter filhos rentabilizava as horas, pois não?)
Aos quatro pode fazer a cama, vestir-se, arrumar a roupa nas gavetas (fica tudo trocado).
Aos cinco toma banho sozinho
Aos seis consegue orientar-se sem ajuda nos balneários da piscina, ajuda a arrumar a cozinha e não passará fome se comer todos os dias na cantina da escola. Pode tomar conta do irmão mais novo, fazer recados, enfim, um novo mundo se abre a partir dos seis. Aprendem a ler, o que facilita muitíssimo – podem contar histórias aos irmãos/amigos/primos, gerir jogos, etc.
Uma outra coisa que faz falta ao equilíbrio emocional dos miúdos é a responsabilização pelo erro (o castigo, a palmada no rabo). Reparem – não estou a falar de violência gratuita ou de humilhação das crianças mas sim de lhes chamar a atenção. Parece-me que um dos grandes males dos miúdos de agora é não saberem exactamente onde é o limite. A culpa não é deles.

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Rita às 14:48
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Segunda-feira, 22 de Novembro de 2010
in coerências

 

Em menos de quarenta e oito horas nasceram dois bebés na família.

As Marias estão histéricas e maldizem os muitos quilómetros de distância. O primo não está nem aí. Gosta tanto de bonecas como de martelos e é o ás do sling. Menino da mamã como é, sofre horrores sempre que me aproximo dum ser menor do que ele. Pergunto-me muitas vezes o que seria desta criança com um irmão mais novo e respiro de alívio por saber que não vai/não vou passar por isso. O meu relógio biológico parou (ufa!) e noutro dia, quando peguei ao colo outra prima muito pequenina, não senti borboletas na barriga nem arrepios nas pernas. Aproveitei o balanço e deitei fora/ofereci/pus de lado para vender, a tralha toda que me atulhava a garagem e a consciência.  

Isto foi agora.

Quando o menino da mamã deixar as fraldas e a chucha, tornamos a falar.


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Rita às 15:00
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Sábado, 8 de Novembro de 2008
ótedogue

 

Post dedicado


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Rita às 00:09
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Quarta-feira, 5 de Novembro de 2008
uma de cada vez

Tosse, dor de garganta, ranho invisível mas que está lá colado dentro do nariz.

Ou

Uma grande crise de maezite.

Ficou comigo o dia todo e portou-se bem. Lanchámos juntas de mesa posta.

(Até ajudou com o bebé enquanto bebi café ou estendi a roupa)

 

Devia poder fazer isto com as outras Marias. Passar assim um dia (sem estarem doentes, que é quando ficam em casa) sem horários nem obrigações. E sem ter que partilhar cada uma delas com o resto de nós todos.

 

Desde que o Sebastião nasceu que sinto que falta a cada uma delas espaço/tempo só comigo ou só com o pai. Já para não dizer comigo E com o pai.

Não que seja uma desvantagem pelo facto de sermos muitos. É apenas uma consequência.

(E nem me atrevo a pedir tempo só meu. Isso seria um luxo).


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Rita às 23:00
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Domingo, 14 de Setembro de 2008
Anteontem

foi  11 de Setembro.

Passa agora a ser um dia de boas memórias porque a minha irmã teve uma filha.


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Rita às 00:15
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Terça-feira, 9 de Outubro de 2007
...
Hoje morreu uma das minhas avós, a mãe do meu pai. O meu pai morreu há quase vinte anos. Eu tenho uma relação muito cruel coma a morte. A morte das pessoas velhas não me incomoda, não me aflige. O que me aflige é a ordem inversa das coisas, os filhos que vão antes dos pais, os netos antes dos avós, os pais que morrem sem avisar os filhos pequenos.

Pergunto-me vezes demais sobre o sentido da vida e cada vez mais acredito que a vida só faz sentido ao gerar-se vida.

O que é que andamos aqui a fazer? Para quê? Por quê?

Uma vida, uma morte, uma vida.
Mal-me-quer
Bem-me-quer

E nunca soube bem como é que esta avó me queria. Sou uma arrogante, eu sei. Há pessoas que não sabem dizer que nos amam, eu sei. Era a mãe do meu pai, eu sei. Se o meu pai aqui estivesse eu haveria de chorar. Com ele.

Amanhã é outro dia.

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Rita às 23:16
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