Terça-feira, 14 de Abril de 2015
Eu, em cada migalha de cada fatia de pão

Uma só bebe leite meio gordo, simples, outra prefere leite magro, a outra só leite com chocolate, mas light, o miúdo bebe o leite da escola mas há aqui quatro pacotes porque durante duas semanas temos uma visita que também leva leite para a escola.

IMG_4774.JPG

 

Eram 23h30 quando tirei esta foto. É a hora a que começo a preparar os pequenos almoços, os lanches e as marmitas dos almoços. A essa hora ainda tinha uma panela de sopa ao lume, uma máquina de roupa a lavar (que já não estendi, acho que quinei de exaustão, entretanto), e um milhão e meio de meias para emparelhar.

De manhã fiz meia dúzia de sanduiches, uma com fiambre de peru e manteiga magra, outra de nutella mas em pão de mistura, mais uma só de queijo, e a de doce de tomate para parecer que estou a comer sangue, mãe (faltam duas. Não me lembro de que eram).

Com os iogurtes é a mesma saga - grego açucarado, líquido de morango mas só do lidl que os do PD são muito espessos, mais a mania dos sem lactose e dos bifidus . 

Hoje a visita perguntou porque é que ao pequeno almoço havia duas caixas de cereais iguais, mas de marca diferente - Ah! é que a Carmo só come estes da vaca e a Maria prefere estes do cão.

A relva precisa de ser cortada, tenho uma trepadeira a crescer para casa do vizinho, todos os dias enfio o carro na garagem de olhos fechados porque não consigo olhar para a desarrumação que para ali vai e enfim, dava-me jeito mais meia dúzia de horas em cada dia.

Se eu me podia poupar e fazer pão com manteiga para todos? Podia. Ou deixar tudo para eles fazerem? Também. Se já experimentei? Não. Se quero experimentar? Também não. E porquê? Porque é nestas pequenas coisas que está a graça disto tudo. 

E agora a parte lamechas:

Durante a semana sinto que estou pouco tempo com os meus filhos e e olho para estes dez ou vinte minutos de cada dia, em que separo leites, sanduiches e iogurtes como a minha forma de estar com eles o dia todo (a sério). Sei que provavelmente nenhum deles atribui grande importância ao facto de eu me preocupar com o gosto de cada um mas quase que aposto que, se lerem isto, vão passar a preparar o seu lanche porque não vão querer estar a comer e a sentir que a mãe está por ali a pairar em cada migalhinha do pão.


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Rita às 13:52
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Terça-feira, 3 de Junho de 2014
Junho!

Mal posso esperar que termine este ano letivo e é por isso que exclamo Junho no título.

Este mês também tem outras coisas boas (algumas são surpresas que não posso desvendar). Outras já passaram e ainda o mês vai no princípio.

De registar - a experiência RR que as Marias contam, de certeza, muito melhor do que eu. (Até porque ainda não me recompus das duas horas de sono a que tive direito - Há o "ir" ao RR e o ir ao RR saindo de Aveiro às 14h e e regressando no final do concerto)

 

(a foto que diz tudo - a expressão de felicidade é comovente. As mãos da Inês e da amiga A, à frente da cara, não foram de propósito!)

 

Outras coisas

- há exatamente uma semana a Inês aterrou de costas no chão, o que obrigou a uma viagem de ambulância e a 4 dias de atestado (e a um grande susto até conseguir mexer as pernas)

- o Sebastião está inscrito no 1º ano - quero o meu bebé de volta

- o passatempo do iogurte terminou, sem grande adesão da vossa parte. Logo que possível dou notícias. 


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Rita às 15:41
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Sexta-feira, 2 de Março de 2012
Quase sem cor

Ando em branco, tenho cabelos brancos,às vezes vejo tudo branco, tenho noites com bocados em branco, apetece-me vestir de branco.


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Rita às 16:03
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Quinta-feira, 26 de Maio de 2011
Primeiro molar superior direito

Dói-me a boca. Tenho um dente e um quisto a menos e sete pontos a fechar a gengiva. Tomo medicamentos de quatro em quatro horas e só como sopa fria e passada. Durmo semi-deitada, quase sentada. 

Mas consigo falar. Muito. E isso é o que interessa.

 

Também tenho trabalhado muito e hoje quase me esqueci duma filha na escola por causa de números e cálculos e mais números e tabelas e verificações. Saí  do trabalho a correr e cheguei mesmo a tempo de lhe segurar o quase choro pelo meu atraso. Eu não devia correr, por causa dos pontos. Nem devia ter ido trabalhar. Mas corri. E fui. Porque a vida são estas coisas todas e apesar do esforço, é sempre melhor chegar ao fim do dia com a sensação de missão cumprida.

 


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Rita às 23:47
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Segunda-feira, 4 de Abril de 2011
Amor sem limites

Não foi por ter sabido em cima da hora que não "avisei".

E também não foi por isso que não me sentei a ver-me. Estavamos noutra, e fiz de conta que não sabia. Depois, no Sábado, adormeci.

Nem sabia que reptia também ao Domingo e foi um acaso ver-me.

 

(Amor sem limites, Sic Mulher, gravado há uns quatro meses)

 

Agora que já passou, fica aqui para recuerdo:

*Primeira parte

*Segunda parte

 


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Rita às 11:58
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Segunda-feira, 22 de Novembro de 2010
in coerências

 

Em menos de quarenta e oito horas nasceram dois bebés na família.

As Marias estão histéricas e maldizem os muitos quilómetros de distância. O primo não está nem aí. Gosta tanto de bonecas como de martelos e é o ás do sling. Menino da mamã como é, sofre horrores sempre que me aproximo dum ser menor do que ele. Pergunto-me muitas vezes o que seria desta criança com um irmão mais novo e respiro de alívio por saber que não vai/não vou passar por isso. O meu relógio biológico parou (ufa!) e noutro dia, quando peguei ao colo outra prima muito pequenina, não senti borboletas na barriga nem arrepios nas pernas. Aproveitei o balanço e deitei fora/ofereci/pus de lado para vender, a tralha toda que me atulhava a garagem e a consciência.  

Isto foi agora.

Quando o menino da mamã deixar as fraldas e a chucha, tornamos a falar.


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Rita às 15:00
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Quarta-feira, 3 de Fevereiro de 2010
patinar, panicar, chorar e outros verbos da 1ª conjugação

Não gosto nada de me encharcar em medicamentos e costumo resolver os (meus)pequenos achaques com xaropinhos de cenoura, chás de tília e muitas cápsulas de ginseng.

Mas às vezes isto não chega e o flop aconteceu há menos de uma semana quando, a meio de uma renegociação do crédito à habitação, comecei num pranto inconsolável. A minha gestora de conta é extraordinária - trouxe-me lenços de papel, ofereceu-me um cigarro, e fez-me prometer uma ida ao médico. Também se ofereceu para uma tardada com as crianças.

Naquele manhã não ganhei a batalha da negociação mas ganhei o dia e hoje fui ao centro de saúde.

Mal me viu entrar sozinha, a médica (de família e de há muitos anos), constatou o que eu andei a adiar e convenceu-me não só à paroxetina mas também à promessa de pelo menos mais meia hora de sono diário. E eu prometer até prometo.

Também me receitou lágrimas, que chorar em seco custa muito mais.

 

(As lágrimas artificiais são por causa duma sensação que tenho há mais de um mês no olho esquerdo. Parece que tenho um grão de areia e não há meio disto desaparecer. Anyone else?)


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Rita às 12:07
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Quinta-feira, 3 de Setembro de 2009
Eu sei que é um bocado em cima da hora, que os 38 chegam hoje mesmo

Uma noite chegava

(pousada de Belmonte)

 Sem crianças, claro.


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Rita às 09:20
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Quinta-feira, 30 de Julho de 2009
Ipomoea batatas

Ontem partilhei no facebook o meu apetite por batata doce. Foi o suficiente para meio mudo supor uma gravidez e isto demonstra bem a conta em que meio mundo parece ter-me. Como se gostar de batata doce, ou apetecer-me comer batata doce, não pudesse ser uma coisa minha. Hello!!!! Mundo!!!! A mim às vezes apetecem-me coisas. Coisas que não incluem bebés nem criancinhas.

 

Como hoje, por exemplo.

O meu filho acordou às 6h05 e já não dormiu outra vez. Tinha bebido um biberão à uma da manhã, hora a que acordou, menos de meia hora depois de eu ter adormecido. São nove e trinta e um e ainda nem sequer bebi café. Mas já gritei tanto, já me irritei tanto, já fiz tanto. Estou aqui sem crianças nem bebés, só eu e o teclado, que nem consigo olhar para o ecrã - doem-me os olhos deste sono acumulado há mais de um ano - e olhem, sinto-me tão bem, este silêncio e o barulho das teclas. As crianças bem entregues, assim o suponho, que escolhi tudo a dedo e pago mais do que posso.

O bebé que não sabe dormir e as marias a amalucar com o pouco que fazer das férias. Hoje porque a Inês beliscou a Carmo que gozou com ela e se riu porque ela foi arrumar os cereais (?)  e a Maria também se riu, mãe, elas estão sempre a gozar comigo.

Eu sem fôlego, aos gritos, (às vezes até tenho medo que me dê uma coisinha má)  - não se goza e não se belisca e se elas te fizerem alguma coisa (e aqui agarrei-lhe o braço com força porque me irritou o facto de ter beliscado a Carmo) é comigo que vens falar! E tu Maria, palavra de honra, parece mentira, a gozares da situação em vez de defenderes a tua irmã. Não me venhas cá pedir para ir à escola defender-te daquelas tipas amalucadas (nunca pediu, nem sei porque disse isto, aliás, sei - ando aqui com uma mãe duma miúda entalada no gasganete). E o bebé que não sabe dormir, e estas miúdas sem tpc´s e tanto tempo livre e o que é que eu vou fazer agora, mãe? Desampara-me a loja, é só o que me apetece dizer, mas não digo, e arranjo mil brincadeiras, cem tarefas, peço-lhes que me ajudem. E elas, tão fofas, ajudam e colaboram e nem desarrumam muito... Já estou a vergar e não pode ser. Estou cansada e furiosa e a precisar muito, muito, dum café e dum cigarro. Não se fuma em frente das crianças.


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Rita às 09:24
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Quarta-feira, 6 de Maio de 2009
Tum

Hoje tive um baque.

Foi de repente, no meio dum mar de gente. Fiquei sozinha com tanta gente à minha volta e deixei de ouvir (o que diziam). Agarrei-me à cadeira para não desatar a correr, respirei fundo e senti o baque.

 

Eu não sou daqui.

 

Depois saí , almocei e senti-me estupidamente bem por ter percebido, no outro bocado de tempo, que não era dali.

 

Foi a adrenalina dos últimos dias que me fez baquear. Acumulei cansaços e preocupações, amparei não sei quantas quedas, tratei feridas e até assisti a uma cirurgia, caramba. Havia de dar nalguma coisa e deu nisto. No baque.

 

Agora vou tirar os sapatos e vou-me embora descalça.


Dia(s) da mãe:  O Sebastião caíu da cama da Carmo para o chão. A Carmo deu cabo dum pé que ficou preso na roda da bicicleta da Inês. A Inês ofereceu-me uma compilação de textos escritos por ela -  a mãe chama-se, a mãe nasceu, a mãe casou, a mãe cozinha, a mãe é amiga e a mãe às vezes dá-me estaladas que me doem muito mas eu adoro-a na mesma.

Dou uns tabefes de vez em quando mas não me apetecia ler isto escrito num presente do dia da mãe.

A Maria dois dias murcha, com dores de cabeça e tonturas. Ocorreu-me que lhe faltavam os óculos e tudo se resolveu. A Maria ontem numa pequena cirurgia - menos um sinal e cinco pontos num braço.

 

Fomos ao tetaro, eu e elas. Gostei muito e chorei um bocadinho.

 


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Rita às 13:33
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Quinta-feira, 30 de Abril de 2009
Contornar as esquinas

e não bater violentamente com a cabeça. Evitar uma dor lancinante, pegar no mapa e procurar um caminho melhor. 

  

 

A idade ensina-me que há mapas da vida, que é melhor seguir por caminhos do que saltar por atalhos, que é bom conhecermo-nos. 

Tenho, na minha vida recente, um exemplo perfeito do que escrevo - o Sebastião estava desde sempre no meu caminho, tenho a certeza, e tinha que chegar para me adoçar. Sou agora uma pessoa de pazes refeitas com o mundo. Cada uma das minhas filhas tem também uma missão em mim e não as referir não significa que sejam menores. Apenas mais distantes, que o S agora chegou. 

 

Acho que aprendi a conhecer-me melhor quando despertei (um bocadinho) para a espiritualidade e a minha amiga Inês, que pinta as mandalmas que ilustram este post, teve a responsabilidade toda deste acordar. Noutro dia noutra noite, evitei uma ida à urgência porque juntei ao ventilan do bebé um bocadinho de Reiki. Também foi assim que acalmei algumas cólicas dos primeiros meses.

 

Quase nunca escrevo sobre estas coisas porque sou, de facto, muito mais da terra e do dia a dia. Mas a verdade é que me esforço e que me procuro atrás de cada esquina.

  


 

Mandalas - um termo que, em sânscrito, quer dizer círculo e que, supostamente, é uma representação do universo e de nós próprios, dentro desse universo. Antes de serem um fim em si mesmo, as mandalas são um processo de meditação, o seja, um meio para atingir um fim - mais espiritual do que estético. Prova disso, são as famosas mandalas de areia dos monges tibetanos. O único propósito - ao longo dos meses em que se dedicam a "construí-las" - é meditarem sobre o universo e sobre o seu próprio papel dentro desse universo. Por isso são feitas de fora para dentro, até chegarem ao âmago do círculo.
Essas mesmas mandalas são depois destruídas e atiradas ao rio. O que prova que era o processo que interessava, muito mais do que o resultado.

 

Mandalmas - ou mapas da alma - mais não são do que almas dentro de um círculo.
Neste caso, com a presença dos planetas nas posições do dia em que cada um nasceu.

 

Não é futurologia, nem adivinhação, nem coisa de bruxas. Apenas o mapa que nos mostra o caminho - as fraquezas, as forças, os dons e as esquinas da vida.

 

O contacto para mandalmas personalizadas é mandalma@gmail.com. São pintadas pela Inês de Barros-Baptista.


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Rita às 11:47
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Quinta-feira, 16 de Outubro de 2008
BabyBlues

A única coisa que me safa é que, cada vez que penso que isto, se calhar, são os tais Baby Blues, lembro-me dos outros e dá-me vontade de rir.

É tramada, esta coisa do cansaço, e das prioridades todas desorientadas, e o meu marido (e o de todas as recém-mães, acho) não entender que trago os nervos e o sono à flor da pele, e que às vezes basta que que se entorne o café para eu me entornar toda. O caraças, o dar mama sem parar, sem poder deixar o miúdo por duas horas que fossem, e ir comprar roupa. Quero comprar roupa. Roupa. Cremes. Sapatos. Umas botas! Isso é que era, umas botas... Estou farta do hiper on-line, das dúzias e dúzias de litros de leite, dos iogurtes, das fraldas, dos danoninhos.

Roupa. Sem ser por catálogo que eu quero é sair de casa.

 

Entretanto

São tramados, os BabyBlues. E é tramado ter que pensar tanto - o que é o almoço, o que é o jantar, o que é que eu visto, mãe, onde é que vamos, a que horas mamou, dói-te a barriga? e eu grito

Bolas! É tudo eu!

E o meu marido, que não tem BabyBlues, de certeza, nem as mamas feitas num oito, nem os dois pulsos destruídos por passar o dia com o texugo ao colo ou na porcaria do ovo, (coisa mais mal feitinha, caramba... ) ainda me diz que esse é que é o problema. Isso , de ser tudo eu. Tá bem.

 

Ainda bem que isto são BabyBlues. Havia de ser bonito, se eu tivesse uma depressão pós-parto.


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Rita às 22:31
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