"O Presépio somos nós
É dentro de nós que Jesus nasce
Dentro destes gestos que em igual medida
a esperança e a sombra revestem
Dentro das nossas palavras e do seu tráfego sonâmbulo
Dentro do riso e da hesitação
Dentro do dom e da demora
Dentro do redemoinho e da prece
Dentro daquilo que não soubemos ou ainda não tentamos
O Presépio somos nós
É dentro de nós que Jesus nasce
Dentro de cada idade e estação
Dentro de cada encontro e de cada perda
Dentro do que cresce e do que se derruba
Dentro da pedra e do voo
Dentro do que em nós atravessa a água ou atravessa o fogo
Dentro da viagem e do caminho que sem saída parece
O Presépio somos nós
É dentro de nós que Jesus nasce
Dentro da alegria e da nudez do tempo
Dentro do calor da casa e do relento imprevisto
Dentro do declive e da planura
Dentro da lâmpada e do grito
Dentro da sede e da fonte
Dentro do agora e dentro do eterno”
José Tolentino de Mendonça
O meu filho chora baba e ranho quando lhe explico que já passou o Natal e que no Sábado arrumamos a árvore. Chora e diz que não pode ser, que o Natal é todos os dias,poisé mãe? E onde é que mora o pai natal, mãe? E tu és a mãe do Jesus? E o Jesus chama-se Jesus Quintela?
O meu filho é pequenino e acha que o Natal é todos os dias, benzódeus. (Escrevi benzódeuse não "benza-o Deus" porque quero utilizar a expressão como uma exclamação, - vidé gramática - e não como um pedido a uma entidade, ok?. Não é por ser herege ou coisa parecida.)
Eu também quero que seja Natal todos os dias mas não tenho espírito para luzes e bolas o ano inteiro.
Deixo em cima da mesa este presépio LINDO feito e oferecido pela Ana. Não para calar as birras, que essas cedem bem a subornos calóricos, mas para nos lembrarmos de ser mais felizes. Como no Natal.
Há duas vozes que me fascinam: a do Pocoyo (Rui Luís Brás) e a do Pêpê Rapazote.
Uma afiadeira* elétrica!
£5 no ebay
* Afia, apara-lápis, aguça.
(Ter casado em Lisboa obrigou-me a tantas traduções)
O meu primeiro post pago!
Na ressaca de quinze dias de crianças em férias, chego à conclusão que as mães só de meninas são umas privilegiadas. As meninas, além de mais arrumadinhas, gostam de brincar com brinquedos muito mais inofensivos do ponto de vista da segurança dos pais. E ainda, os brinquedos tipicamente femininos, por muitas milhentas peças que tenham, arrumam-se num instante.
É quase impossível circular aqui em casa sem tropeçar numa pista de um comboio, numa garagem de sete andares e trezentas portas, numa banca de ferramentas com milhentos parafusos. Ou pior - derrapar em cima de um das centenas de carrinhos. Não sei como ainda não parti uma perna.... Tenho uma amiga que usa os carrinhos do filho como arma – à noite coloca-os no chão, do lado de dentro da porta de entrada, para que algum suposto ladrão se espatife ao tentar entrar. O marido desta minha amiga trabalha longe e nem sempre dorme em casa. Numa destas noites chegou sem avisar e patinou por ali fora.
Há dias recebi uma proposta para escrever sobre um novo brinquedo e juro que não aceitei só pelo dinheiro que me pagam. Esta ideia só pode ter saído da cabeça duma mente brilhante e merece ser partilhada. São carrinhos Hot Wheels Wall Tracks que funcionam em pistas montadas nas paredes!
Ide ver o vídeo e digam-me, mães do mundo: Não ficam doidas para ter uma destas em casa?
Post patrocinado
Está a chover mas durante a tarde a roupa secou lá fora.
Ou seja, um dia como os outros.
Fada dos dentes:
- vai a casa do Bruno Manuel e diz para ser meu namorado.
- se me deres uma nintendo dou-te uma caixa para guardares os meus dentes.
Tem doze anos há uma semana e um dia. É linda de morrer, desarrumada que mete dó, esperta que nem um alho, diz que não gosta de ler - fase parva - passa horas, seriam dias se eu deixasse, no FB e msn, lugares onde ama de paixão todas as amigas, que aquele coração não tem tamanho. Continua pouco faladora e precisa de aprender a deitar fora as raivas, as alegrias e as tristezas. Disse-nos um amigo homeopata que tem as angústias concentradas nos pés. A meio de Novembro fraturou a membrana interna do calcanhar e foi aí que lhe percebi na angustia a enorme paixão pelo ballet
(dança maravilhosamente)
Eu sou uma pessoa perspicaz e não leio a minha filha. Isso perturba-me. Ela, às vezes, perturba-me. É, dos quatro, a que mais "mexe comigo". Eu, a espalha-brasas-palavras-e-emoções. Ela, o bloco de gelo silencioso que vou ter que aprender a derreter.
(aqui quentinha, em fim de verão)
Por causa duma tosse chata e duma sinusite persistente, o meu otorrino analisa-me o nariz, a garganta, a laringe e as cordas vocais e encontra provas científicas para as minhas capacidades. Não é mau feitio, é mesmo uma questão fisiológica.
Não justifico a decisão pela inconsciência do ato em si. Decido fazer bolachas com os mais novos, antes do jantar, carregada de cansaço e com noites mal dormidas acumuladas. Mas não é só - o garoto está de birra e quer fazer colagens na mesa da cozinha mas também quer amassar as bolachas e recortar panfletos de natal.
Ai o caraças.
Maldisse durante todos os minutos os conceitos de partilha destas tarefas com crianças pequenas. Quem escreve estes disparates devia vir um dia inteiro aqui para casa. E os blogues com criancinhas loiras nas cozinhas imaculadas? A sério, tiram-me do sério. Tenho farinha espalhada por todo o lado, bocados de massa agarrados às paredes, os bifes por fritar e o puré por fazer.
Se não fosse a Carmo, tinha desistido a meio. Mas lá ajudou o irmão com as colagens enquanto eu me lembrava, em pânico, de que uma das mais velhas pediu uma caixa de panados para o almoço de natal do dia seguinte.
Descongela-tempera-ovo-pão ralado-frigideira. Feito. Os outros bifes e o puré também. Sopa quente.
Mãe, falta a salada! Tomate. Quero tomate!
(Mas para que os habituamos a tanta perfeição?)
Jantámos enquanto a massa arrefeceu, deixei-os cortar seis bolachas, meti-os na cama e saí da cozinha à uma da manhã, hora a que registei o momento, para depois descer à cave e etiquetar tudo com boas festas e laçarotes.
Confirma-se. O Natal faz de mim uma pessoa melhor diferente.
A miúda ganhou o corta-mato.
Segredei-lhe à porta da escola que me imaginasse a correr atrás dela com um pau na mão. Ou foi disso, ou é mesmo uma gazela.
Tudo enlameado e uma Maria num corta-mato.
Não sei se consegui demover uma das minhas filhas de apresentar uma proposta de pedido de demissão de diretor de turma por incumprimento.
Por outro lado, acho muito bem que outra se preocupe com a qualidade da comida da cantina e tenha escito uma ode acerca desta tema. Uma ode mesmo (suspiro)
* no original
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