A vida segue maisoumenos, não me apetece escrever e duas das quatro crianças vão ser vacinadas*
*Porque sim
Desde que começou este ano lectivo, a minha vida mudou um bocadão. De um momento para o outro, deixei de ter um bebé sossegado para ter um pequeno terrorista, deixei de ter uma filha de 5 anos no infantário para ter uma filha de 6 na primária, sem atl e com algumas actividades fora da escola, e passei a ter duas Marias no 2º ciclo.
Passo muitas horas a levar e trazer, muitas horas a mandar fazer (faz o tpc´s, arruma a mochila, anda pôr a mesa), estou quase estrábica de tanto ter de olhar para dois lugares diferentes na mesma fracção de segundo, não vá o Sebastião fazer mais alguma.
Sinto uma pressão enorme na gestão do tempo que estou com os miúdos mas a pressão consome-me e faz de mim um quase-monstro. O tempo que devia ser bom, transforma-se muitas vezes num grita-corre-faz-despacha-te e a mim, depois de os ver a dormir no fim dos dias-maratona, só me apetece chorar. Porque simplesmente não consegui estar, fazer, mimar, abraçar.
Isto chama-se frustração e, naqueles momentos de alguma lucidez em que consigo olhar em frente e ver um futuro risonho, abro os braços e cabem cá todos e vamos ser felizes assim, na nossa vida.
Ontem obriguei-me a contar uma história à Carmo. Há muito tempo que não lhe contava uma história. Este livro sempre existiu cá em casa e e eu não conhecia a Coelha Tricotina
A Coelha Tricotina, Chantal Amblard
do livro "Histórias para Sonhar", de vários autores e ilustrações de Marie-José Sacré
Tradução de Carlos Oliveira, para Livraria Civilização editora
BabyBlues, Vol 25, "MySpace"
Rick Kirkman & Jerry Scott
Partir um vidro à cabeçada (deliberada), bater palminhas e não sofrer um arranhão.
A partir de hoje só brinca com Barbies.
O Hospital de Aveiro é um dos 27 finalistas da Missão Sorriso deste ano e candidata-se com um projecto de aquisição de material para a Unidade de Cuidados Intermédios Neonatais.
M1 - O D. Quixote é um cavaleiro que usa uma lança muito comprida com uma bolinha prateada na ponta. A bolinha serve para não matar os inimigos (só guerrear). O Sancho Pança não sei....
M2 - O D. Quixote é um escritor e o Sancho Pança é o ilustrador.
Protagonizado por Isabelle Adjani, O Dia da Saia é um drama sobre uma professora, Sonia Bergerac, vítima de descontrolo emocional causado pelo stress incutido pela indisciplina dos seus alunos. Um dia descobre na sala de aula uma arma a sair de uma mochila, toma-a e, à falta de melhor solução, usa-a para controlar os alunos e poder tentar dar a matéria. Um drama intenso que nos apresenta um rol de problemas habituais nas escolas francesas, mas também nas portuguesas, como indisciplina, abusos sexuais, racismo e até violência para com os docentes.
Um filme que aborda de uma forma provocativa, de tão realista, os problemas que os professores enfrentam no seu dia-a-dia na formação das nossas gerações futuras
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Ontem tive uma convesa "acesa e séria" com a Maria. Se a turma não mudar de comportamento, se ela continuar a envolver-se nas confusões que não lhe dizem respeito, se essas confusões começarem a pôr em causa o comportamento e o rendimento dela e se a escola, neste caso particular, continuar sem agrir, partimos para a hipótese "mudar de escola". Um drama instalado, claro.
Uns sapatos velhos e gastos merecem, no mínimo, um saco novo e brilhante.
(loja)
Estranho que a pesquisa do blogue não encontre resultados para a palavra "vaca". Tantos meses a alimentar estas crianças, de mama de fora e a ruminar fúrias mal digeridas, e nem uma única linha? Se calhar não procurei bem e até já escrevi sobre a vaca.
A verdade é que o rapazinho (oh... não escrevi "o bebé) sai às irmãs e derrete-se com a canção da vaca leiteira, da qual não existe uma única versão portuguesa decente no iutubi. Não que me importe de lha cantar (remember? sou a próxima ídola) ou de ouvir as Marias em coro. Mas recuso-me a mostrar-me ao mundo nesses preparos bovinos. Querendo partilhar, eis a versão original:
E uma versão infantil

Hendrick Avercamp, Winter Landscape with Iceskaters (aqui)
Este ano duvidei da chegada do Natal mas hoje, de cachecol e mãos geladas, voltei a acreditar. Em fase de arrumar as ideias e a vida, aproveito para dar uma volta à casa e ensaco roupas e brinquedos. Normalmente segue tudo para a junta de freguesia que tem um banco social e encaminha estas coisas com peso e medida. Desta vez as Marias colaboram e os brinquedos seguem em caixas. As roupas vão para aqui* - altruísmo com vales em roupa, que nós também precisamos.
Centenas de linhas de comentários a este post.
O resumo, nas palavras duma professora: "Falta os pais serem pais"
Falta:
- Incentivar os miúdos para o respeito e a disciplina (tantos miúdos a desrespeitar os próprios pais sem que estes reajam...)
- Ensinar para a autonomia (como é que há miúdos de 7 ou 8 anos que não tomam banho sozinhos? Ou miúdos de 10 que não sabem preparar a mochila para o dia seguinte sem a ajuda dos pais? Socorro.)
- Responsabilizar as crianças - pôr a mesa, arrumar o quarto, fazer recados. Criar mapas de tarefas. Tudo isto é possível aos 5/6 anos e ajuda muito. E sem recompensas: explicar que tem que fazer porque faz parte das regras da vida em família.
- Mostrar autoridade - os pais mandam, os filhos obedecem. Na escola, respeitar sempre os professores e os colegas.
Não é uma receita mas ficam os ingredientes.
É possível mudar hábitos e comportamentos. Não tentar é desistir antes de começar e faz de nós piores pais.
Imita um operador de câmara que roda uma manivela:
- Estou-te a filmar, mãe!
- E estás a rodar a manivela porquê?
- Porque antigamente era assim!
- Porquê?
- Porque não havia electricidade
- E onde é que ficavam gravadas as imagens?
- Num cartão de memória!
Perguntam-me muitas vezes se gosto da escola onde andam (as mais velhas).
(Perguntam-me porque a escola tem/teve má fama).
Não gosto nem desgosto, é uma escola como as outras, não tivemos grandes opções. Ou esta, no centro da cidade e ao lado do meu trabalho e a 500m da escola da Carmo ou a outra, da "área de residência" a meio caminho entre casa e a cidade.
Mesmo que tivesse optado por furar o esquema, restavam-nos outras duas escolas que não me dizem mais do que esta e que ficavam ainda mais fora de mão.
Esta é a escola onde eu também andei e já na altura havia de tudo. Em todas as escolas haverá de tudo mas esta anda a primar pelo excesso. (Eu, mesmo sabendo do "de tudo", não me preocupei com os possíveis excessos)
Aqui há miúdos mal educados, prepotentes, ameaçadores, desrespeitadores. (A mim preocupam-me sobretudo os ameaçadores).
A Maria mais velha nem sempre é flor que se cheire: é respondona e mandona, parece-lhe que vai salvar o mundo e é exageradamente cumpridora. Aqui entra a minha falha - para ela, um deslize dá direito a castigo e anda sempre com as queixinhas na ponta da língua. Habilita-se, claro. Ser a queixinhas salvadora da pátria e amiga dos professores tem custos valentes.
(A Inês entrou este ano para esta escola mas não se mete na vida de ninguém.)
No ano passado, dois episódios sem graça nenhuma tiraram-me do sério. Primeiro foi uma miúda que torceu um pé numa aula de EF e que culpou a Maria de lhe ter passado uma rasteira. A minha jurou e chorou a pés juntos que não fez nada, a professora jurou que não viu nada mas a outra, uma mal educada da pior espécie, não desarmou. E chamou nomes, ameaçou, barafustou. Mas a coisa ficou por ali.
Um dia fui à escola participar numa aula e a a tal miúda cochichou qualquer coisa como "olha a mãe da parvalhona da Quintela" Eu ouvi e quis saber o que é que se passava. Bem... Foi tal o chorrilho de asneiras que me virei para a garota e espingardei:
"Se não te dão educação em casa vê lá seques que ta dê eu".
Erro. Erro. erro. Erro.
Meses depois, também na escola e num dia repleto de pais, ouve-se em altos berros
- Olha a puta da mãe da Quintela! - Era a mãe da miúda, mão na anca e olhar ameaçador.
Não respondi e segui em frente mas imaginei mil cenários de raptos e facadas.
O outro episódio, aparentemente mais grave mas menos a ver connosco, passou aqui pelo blogue - um rapaz da turma da Maria que cortou a cara a outro com um X-acto. Fim. Não quero detalhes que me arrepio. O miúdo continua a frequentar a escola, na mesma turma. A turma da Maria que acabou de me ligar:
- Ó mãe! Só porque eu e a não-sei-quantas dissemos à professora que a fulaninha gravou a discussão que houve na sala, agora a fulaninha está ali com os amigos e o JP (o do X-acto) a dizerem que nos vão fazer isto e aquilo.
Eu sei que é ela que tem que se desenrascar, que tem que aprender a não se meter onde não é chamada, que por muito que lhe custe admitir, não vai mudar o mundo sozinha (dói-me tanto dizer-lhe isto). Mas faço o quê, com a minha galinhice e com este medo que lhe dêem uma tareia?
Muitos destes miúdos problemáticos não querem andar na escola, não sabem estar na escola, perturbam a escola. Mas o sistema obriga-os a estar na escola. E escola esforça-se por motivá-los (eu sei que se esforça, é uma escola absolutamente extraordinária em termos de recursos humanos). Não me preocupa por aí além que uns miúdos tenha medo de outros (sempre assim foi). Preocupa-me que a minha filha tenha medo de estar dentro da escola. E preocupa-me muito que os professores tenha medo dos alunos e dos pais dos alunos.
No meu tempo, se um miúdo faltasse ao respeito aos professores ou aos colegas, havia coisas chamadas falta a vermelho, processo disciplinar ou duas bofetadas na tromba. E se não dava para a escola, ía acartar tijolos para as obras.
Agora há paninhos quentes e adultos improváveis.
Comento a corrida aos bilhetes e pergunto-lhes que músicas conhecem dos U2:
- No youtube há as músicas que nós quisermos, mãe!
Ai.
É que nem umazinha.
Incultas.
Meninas:
Ler o blogue da mãe tem que servir para alguma coisa. (E o youtube dá jeito, sim)
Esta para vocês:
E esta para mim:
A verdadeira dimensão dos problemas toca-nos muito mais quando passamos por eles. Não fosse o facto do bebé ter estado doente, nunca saberia que hoje se comemora o Dia Mundial da Pneumonia.
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